Número 116 ─ Os Dez Mandamentos: Parte VIII “Não levantar falsos testemunhos (nem de qualquer outro modo faltar à verdade ou difamar o próximo)”
Olá meus queridos e estimados
leitores e sejam bem-vindos a mais um texto. Sim, voltamos a saga dos Dez
Mandamentos e desta vez trago um dos M6andamentos menos praticados no nosso país
a beira-mar plantado, a questão da difamação. Esta notícia não é recente, data de 2015, mas evidencia que Portugal
está no top dos países europeus por condenações por difamação. Portugal a lançar
falsos testemunhos é rei, daí talvez o sucesso daquele segmento envolvendo polígrafos
dos programas da tarde.
Portugal vive das suspeições, é isso
que faz muita da empresa girar: da empresa sensacionalista à cor-de-rosa, da
desportiva à política, tudo passa por suspeições, por acusações não fundamentadas.
Ninguém se preocupa minimamente a procurar a verdade, se parece é porque é, se
é provável é uma certeza.
As suspeições e falsos testemunhos
levam muitas vezes a fins de importantes uniões: políticas, profissionais e, obviamente,
amorosas. No top de medos coletivos
não sei até que ponto o denominado “par de cornos” não supera o terrorismo.
Talvez exista aí muita boa gente que se morrer num atentado bomba vai achar “chato”,
mas se o parceiro o trair com um dos seus vizinhos vai achar uma catástrofe. Ora
se por lado, relações se podem destruir por apenas “levantar falsos testemunhos” o que dizer de “faltar à verdade”. Quem me conhece pessoalmente sabe, a pior coisa
que me podem fazer é mentir. Mentir para mim não tem qualquer tipo de perdão.
Quem mente é apenas a pessoa que tem medo de enfrentar aquilo que sabe, no seu
próprio consciente, fez errado. Ninguém mente por algo bom (a não ser que seja
uma surpresa, mas isso nem conto como uma mentira). Nunca ninguém mentiu por
uma nota ter sido um 20, agora talvez um 6 já existam imensas pessoas. A
mentira é aquele fenómeno que une as pessoas, desde o político corrupto, ao
marido traidor, ao aluno que falhou no teste, e mais giro que a mentira são as
desculpas das mesmas.
Como referi num texto passado, apanha-se mais
facilmente um mentiroso que um coxo, a verdade vem sempre ao cimo, contudo
depois de confrontar o mentiroso existe sempre um segundo confronto a desculpa,
ou melhor a desculpa farrapada. A desculpa
farrapada é outro nível de mentira menos sofisticada que pauta pela tentativa
de justificar o injustificável, a primeira mentira. As desculpas farrapadas geram
mais desculpas farrapadas como se as mesmas copulassem como coelhos da Duracell.
E, assim me despeço já com bastante
saudade sem antes deixar mais um dos novos mandamentos: “Se a rapariga/rapaz não estiver interessada em mim, não vou insistir
ad eternum numa tentativa frustrada de mudar um destino por mim não controlado.”.
Vá lá rapazes e raparigas deste mundo saiam ainda com alguma da vossa dignidade.

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