Número 109 ─ Os Dez Mandamentos: Parte V “Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo)” (e alguns pontos sobre a eutanásia)
Olá meus queridos e estimados leitores e sejam
muito bem-vindos a mais um texto. Depois de uma pausa na saga dos Dez
Mandamentos está na altura de voltar a mesma, com o quinto texto que se centra
na temática do matar e causar dano a outro e a si mesmo. Eu vou dividir o texto
em duas partes, uma primeira parte falando do outro e outra falando em nós
próprios numa clara alusão a um dos temas mais badalados do últimos tempos e,
não é o “senhor presidente Bruno de Carvalho”, é sim outro tema mais
importante.
Eu vou começar com algo polémico, a religião trouxe
muitas coisas erradas para a humanidade. Desde de guerras com o intuito de
espalhar a fé, a inquisição, o extremismo religioso. E, acho que qualquer
religioso, mesmo o mais feroz, terá que concordar comigo. Na minha humilde opinião
tudo vêm não das doutrinas religiosas em si presente nos livros religiosos,
seja a bíblia ou o alcorão, mas sim da interpretação pessoal dos mesmos e, por
vezes, das instituições e entidades que controlam a forma como devemos
expressar a nossa fé, as “igrejas”. Agora há algo que foi importante para a evolução
da humanidade que a religião trouxe, o primeiro código de ética. Isso é,
talvez, a melhor criação da religião. Este mandamento é prova disso. Este
mandamento é a base, por exemplo, Direitos Humanos e, desta forma, a
importância para a história da humanidade é inequívoca. Quando o ser humano
começou a notar (na sua generalidade) que matar o outro era errado, o número de
guerras começou a diminuir (não acabou é certo), mas começou a diminuir. A ideia
que Deus não quer que os humanos se matem ajudou os mesmos a viver em
sociedade. É pena é que o ser humano ainda não tenha aprendido sobre causar dano
no outro como algo nefasto. Muitos dos problemas do mundo veem daí, desde a
corrupção, a irregularidades da economia, etc. O fim do dano sem dúvida iria,
em muito ajudar o mundo. Talvez, infelizmente, temos que apenas imaginar como o
John Lennon.
Agora vamos entrar mais no ponto que mais queria
focar-me, a questão da eutanásia. O suicídio medicamente assistido. Recentemente
a Assembleia da República votou contra quatro propostas de lei sobre a
legalização da eutanásia. PAN, BE, PEV e PS todos apresentaram uma proposta
(muito semelhantes entre elas) e todas, sem exceção, foram votadas contra.
Existem argumentos para esta votação, claro. Entre eles apresentados pelo
Bastonário da Ordem dos Médicos a questão da mesma ir contra o Juramento de
Hipócrates. Não deve ser fácil um médico terminar a vida de um doente e eu isso
aceito. Agora não aceito é como na manifestação que aconteceu à porta da
Assembleia desta rapariga da fotografia que acompanha (que calculo que tenha a
minha idade ou perto dela) que acha que a eutanásia se restringe a um simples
matar de velhinhos. Minha cara, e estou a falar diretamente para ti, a
eutanásia é um ato de misericórdia a pessoas que estão a sofrer e vão
continuar. Estás a tirar liberdade a essa pessoa de escolha. Repara todos os
projetos de lei se centram nisso, escolha. É a própria pessoa que escolhe se
quer ou não morrer, se tu não queres boa nada contra, agora se há alguém que
quer quem és tu para decidir sobre essa questão. Nos países que é permitido a
eutanásia é facto que tem existido abusos da mesma que merecem servir de
exemplo para quando Portugal formular (se formular novamente) propostas de lei.
E tirando o doente e o médico (que repito entendo que possam ser contra como
acima referi) não é esta classe dos superentendidos que nunca sentiram
sofrimento na pele que possa sequer interferir nesta decisão. Muitos dão o
argumento religioso, pois bem eu darei também o mesmo. A votação do não impinge
uma direta violação deste mesmo Mandamento pois prolonga um dano de alguém.
Deixem as pessoas partir não só com dignidade mas com misericórdia.
Sem mais
nada para acrescentar me despeço e espero por vocês para a semana. Agora podem
seguir o blogue e serão notificados por email sobre a existência de textos do
mesmo. E não se esqueçam de me seguir pelas redes sociais e no Blogs de
Portugal. Um bem-haja e até para a semana.

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