Número 138 – O espetacular caso do E

Olá meus queridos e estimados leitores e sejam bem-vindos a mais um texto. Antes de mais aviso, este texto será muito muito muito ESTÚPIDO. Mas no caminho de metro até onde tinha o carro comecei a pensar o quão espetacular e versátil é a letra E. O E normalmente usado como uma simples conjugação coordenativa. Uma conjugação coordenativa é uma espécie de cola da linguagem para juntar ideias. Junto isto E isto na frase e já faz sentido. Tenho de ter cuidado a usar para não parecer um parvo linguístico, mas se a repetição sistemática da coordenação for de tal maneira crítica posso dizer apenas que usei como forma clara de um recurso estilístico e iram me chamar um génio da escrita.

Contudo, o E não é só uma conjugação coordenativa com um claro problema de identidade. Então perguntam vocês regozijando de raiva, “Como assim problema de identidade?”, então é um E e lê-se “i” e vocês acham que não tem um problema de identidade. Coitado do E que nasceu “É” mas no fundo quis ser um “i” com uma pinta grande no fim daquele traço pequeno e tosco. Esta crise de identidade cria graves problemas a quem esteja a aprender português como uma língua não nativa. Imaginem uma conversa entre dois amigos, dois rapazes. Ora conversas estas conversas vão ser descambar a falar do sexo feminino, e imaginem que que um dos amigos um não nativo e um nativo de português e se este último perguntar: “Então e gajas”, usando a fonética brejeiro ficará qualquer coisa como: “Então iiiigajas” não me admirava nada que pela confusão o coitado do rapaz que pouco da língua de Camões percebem pensar: “Ui então a Apple agora vai entrar no negócio da Casa da Mãe Kikas. Safados entram em tudo o que é negócio rentável.”

Outra coisa interessante da letra E, para além de ter problemas de identidade, existem duas versões desta bonita letra que são aqueles armados em bons que falamos há uns textos. Esses dois casos são quando adicionamos um acento grave ou o caso estranho do ampersand (&). Começando com o caso acentual, que raio é que este E pensa que é para ter som da letra correspondente e ainda por cima passa a ser um verbo com uma conotação de certeza enorme. Já nada parece, agora tudo é algo e graças a letra E com crista cujo vento impede que esteja em pé ficando apenas de lado. Por outro lado, o & é só um simples e estiloso. Imaginem uma empresa chamada António e José, Lda. soa a uma simples oficina com pósteres de mulheres nuas a espalhar pela mesma, mas se substituirmos a mesma pelo mais sensual & já soa a uma start-up cheia de network e cenas, António & José, Lda.

E, assim termino este texto parvo ainda com vestígios daquilo que vomitei na passada sexta-feira. Até para a semana.

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