Número 128 – Então os africanos não podem ser editores de estudos africanos (Gatekeeping African studies: what does “editormetrics” indicate about journal governance?)

Olá meus queridos e estimados leitores e sejam bem-vindos a mais um texto. Hoje trago-vos algo totalmente diferente do que estão habituados. Vou falar de uma investigação científica. Antes que decidam fechar o texto e não ler tudo, calma isto vai ser mais falar de uma bronca do que propriamente estudos daqueles que passam CMTV como “Respirar aumenta a probabilidade de padecer de hemorroidal”. Ora, recente eu tive acesso a este artigo e deveras fiquei intrigado. Antes de mais vou deixar aqui o link do mesmo.

Revistas científicas, o grande foco de divulgação de conhecimento científico, onde os autores renomados lançam as suas novas investigações e que ainda para a população em geral acham que não servem de nada. Digam lá a verdade? Quantos artigos científicos leram este mês? E quantos artigos leram sobre o encontro pela porta dos fundos do CR7. Pois é… A população quer é molho… Mas, não é que este artigo traz molho. Pois bem, nas revistas científicas existe um editor, um conhecedor da matéria de foco da revista que depois dá o seu aval para que seja revista por um referee mais conhecedor do assunto em particular. É quem faz a primeira triagem, e daí o seu papel fundamental em todo o contexto abordado. Imaginem que o grande especialista de estudos africanos não era africano. Bem podia ser, acontece de facto, pode ser alguém que se tenha dedicado à sua vida a esta matéria. Mas quando olhamos para o espectro de grandes jornais de estudos africanos, bem… Nenhum tem um africano como editor. Será que na área de estudos africanos os africanos não são bons o suficiente para ficar com editores nas revistas de estudos africanos? Poderia introduzir aquela mítica frase que normalmente se diz nestas ocasiões, mas não vou meter.


De facto, existe aqui algo que deve ser explorado, analisado e discutido. Não deve haver por parte dos estudos africanos pareceres de africanos em posição de editores? Será que se em estudos portugueses os editores não fossem portugueses não fariam um burburinho logo? Será que gostávamos que estudos sobre fado fossem revistos por alemães. São perguntas que lanço para o ar, com a certeza de uma coisa, como não se passou em Las Vegas não teremos o André Ventura a comentar tal episódio, o que visto bem as coisas até é positivo. Até para a semana.


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