Número 125 – Quando Lisboa parou para ouvir Bono
Olá meus queridos e estimados leitores e sejam bem-vindos a mais um texto. Espero
que esta última semana de setembro tenha sido do vosso agrado e que outubro apareça
aí em força também para terminar com este sentimento de uma depressão pós
ferias que temos vivido neste tão fatídico nono mês do ano. Admito este texto
vem com algum atraso. De facto, os relatos que vos trago datam de dia 17 deste
mês, todavia, não posso deixar de, por mais pequeno que seja o comentário, relatar
o que passei neste dia.
Há oito anos não pude ser um dos muitos que encheram por duas vezes o
estádio de Coimbra para ver a 360 tour, então quando os bilhetes para o
primeiro dia da eXPERIENCE + iNNOCENCE esgotou a mágoa de pensar que talvez
nunca vá ver Bono e companhia voltou a deprimir-me. E é neste momento que a
minha mãe (teimosa como um raio) se lembrar de perguntar ao meu primo (fã incondicional
da banda) como conseguiu os bilhetes aquando da confirmação da segunda data. Após
uma inscrição no clube de fãs umas complicações no pagamento e uma catrefada de
tempo à espera da chegada a casa dos mesmos, finalmente era oficial EU IA VER
OS U2! Quem são os U2? Talvez (e sem margem de dúvida para mim) a melhor banda do
mundo, com êxitos atrás de êxitos, os rapazes de Dublin continuam a maravilhar miúdos
e graúdos conseguindo sempre se reinventar. A pergunta mantinha-se, o que
faltava aos U2 fazerem? Desde produções megalómanas à criação de alter-egos, de
hinos de intervenção a baladas de paixão, o que faltava? Simples, criar uma
experiência como nunca feita, fazer com que no mesmo concerto parecesse intimista
e de proporções épicas.
O concerto foi divido em duas partes (deixando o encore de parte), a primeira a parte do iNNOCENCE mostrou o lado
mais humano da banda, a história de vida de Bono, The Edge, Adam Clayton e Larry
Mullen Jr. com músicas com por exemplo Cedarwood Road e Iris (Hold Me Close), a
música sobre a progenitora do vocalista. O lado intervencionista da banda
começou a fazer-se sentir em Sunday Bloody Sunday e foi transversal a todo o
concerto, nos diversos discursos de Bono e no próprio mega ecrã/palco/corredor
que ligava o pequeno palco no meio do Altice arena ao palco mais normal encostado
no local dito normal do concerto. Refugiados, igualdade de género, aceitação da
sexualidade, pobreza, união dos povos foram alguns dos temas abordados ao longo
do concerto.
Quando os acordes de uma versão remixada de Hold Me, Thrill Me, Kiss Me,
Kill Me fizeram-se ouvir sentiu-se claramente que o rumo do concerto iria mudar,
agora os U2 iam mostrar o seu lado de lendas do rock e do palco. eXPERIENCE começou
com tudo Elevation e Vertigo fizeram pular os fãs que assistiam e até a
personagem MacPhisto apareceu para dar o ar da sua graça fazendo alusão a
Salazar. New Year's Day e City of Blinding Lights foram dedicadas a União
Europeia talvez num golpe ao movimento Brexit. O final foi apoteótico, Women of
the World foi o mote de saída com a mensagem feminista aludindo a quantidade de
mulheres que ainda é proibido o acesso a educação no mundo e por fim One foi cantada
como se do hino nacional se tratasse. Admito que chorei bastante a cantar, foi
como se as frustrações da vida saíssem. Love Is Bigger Than Anything in Its Way
foi o espelho do movimento LGBTIQ+ e 13 (There Is a Light) foi a forma como a
maior banda do mundo se despediu de Lisboa. Será difícil que algum concerto me
provoque tanta emoção como este. Foi o concerto mais esperado por mim, foi o concerto
que mais gostei, foi uma aula de como controlar o público, mas também de
revelar ao mesmo que os artistas são pessoas como qualquer outro. Não consigo pôr
em palavras, contudo irei guardar para sempre na minha memória e não podia ter
ido com melhor companhia (hei já que és a única que lês isto tinha de referir
não é mãe?). Até para a semana.

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