Número 120 ─ Ir à praia no século XXI
Olá meus queridos e estimados
leitores e sejam bem-vindos a mais um texto. Este texto implica o regresso… De
O Gajo Que Diz Coisas de antigamente. Vamos deixar os textos sérios de parte,
vamos deixar o olhar mais analítico de fora e vamos debochar sobre algo que
todos conhecemos. Então Agosto está a acabar não é? O Algarve volta a ser uma província
inglesa e os tuga voltam todos para onde vieram. Agora, algo muito importante,
o que é aconteceu com ir à praia?
Eu já não sei ir à praia, ou pelo
menos esta nova versão de ir à praia. Nos meus tempos de miúdo, ir à praia era
simples: vamos à água que nem uns malucos, ficamos um pouco na toalha, voltamos
para dentro da água. As vezes para entreter na areia joga-se às cartas ou
raquetes ou até ler um bom livro, e isto era IR À PRAIA! SIMPLES! Contudo, com
o tempo despendido dentro de H2O diminuiu drasticamente e passou a ser
importante o bronze. O conceito do bronze sempre me fez alguma confusão. As pessoas
que testam a sua produção de melanina ao estremo para ver se conseguem ficar com
uma cor para eles seja “bonita” faz uma espécie. Pior, parece que a tentativa explícita
de desafiar a possibilidade de cancro na pele é um ato de coragem, daí a malta
comentar várias vezes aquela “tás com um bronze”. Para mim acho que bronze não
é mau, mas imaginem então se eles conseguissem ouro. O Goldust devia ser um herói
dessa juventude.
Se a proporção tempo dentro de
água e fora dela já me fazia confusão, nos últimos anos outra proporção me está
a fazer ainda mais confusão, a proporção divertimento e tirar fotos. O conceito
de tirar fotos para mim já é complicado, citando um dos maiores influenciadores
do século, Hélio do “saí da frente ó Guedes”, tirar fotos a mim mesmo é “uma
coisa que não me assiste”. Mas aceito, famílias que estão de férias tirar fotos
juntas ou grupo de amigos. Agora este novo conceito de somos todos modelos,
mais cedo ou mais tarde tem de acabar. Ponham uma coisa na cabeça se vocês não
são pagos para tirar fotos NÃO SÃO MODELOS ESCUSAM DE FAZER A PORCARIA DE POSES
COMPLETAMENTE RIDICULAS PORQUE TODOS SABEMOS QUE VOCÊS ESTÃO SÓ A PROCURAR DE
LIKES! É os tipos a mostrarem os seus pseudo “six packs” é miúdas a mostrar os
seus corpos em poses que provocam problemas na coluna… E falando em poses, que
raio foi aquela invenção de tirar fotos sentados como se tivessem a fazer a
saudação japonesa ajoelhados com o rabo cheio de areia. A areia é de pior coisa
do mundo da praia, é desconfortável, mete-se onde não se deve E VOCÊS VÃO POR
PROPOSITADAMENTE NAS NÁDEGAS? ENTÃO AGORA É MODA AS NÁDEGAS PARECEREM DOIS
DAQUELES CROQUETES EM FORMA DE BOLAS? E depois aquele emoji do pêssego na descrição, como se não percebêssemos que era
para olhar para as ditas.
Obviamente que cada um faz o que
bem apetece com o corpo, tira fotos como bem lhes apetece o que eu acho que se
deve começar a admitir é a intenção. Nem todas as fotografias de raparigas de biquíni
nem de rapazes de calções são para exibir os seus corpos, às vezes são para
guardar o momento, marcar as suas férias, etc. AGORA QUANDO COMEÇAM COM AS
PORCARIAS DAS POSES NÃO FINJAM QUE A INTENÇÃO NÃO É ESSA OK? CONTINUEM A FAZER
À VOSSA VONTADE MAS NÃO FAÇAM NINGUÉM DE ESTÚPIDOS. Não tem nada de mal vocês
querem mostrar o vosso corpo porque se sentem bem, porque sentem-se bonitos,
mas não finjam que a razão da foto não é essa. Não finjam que estão à procura
do like, ou da inveja de alguém que
não gostam, ou a piscar ao olho daquela pessoa que sentem atração. Se bem que
aqui vou valor aquelas pessoas que não usam filtros nem edição nem nada para
tentar mostrar o corpo perfeito, mostram as suas imperfeições que todos tem e
aceitam-nas. A essas pessoas um bem-haja. E assim, me despeço vou dar um
mergulho e cenas.

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