Número 103 ─ Eurovisão (#EuNãoOuviBem as galinhas de Israel)
Olá meus queridos e estimados leitores e sejam bem-vindos para mais um texto especial com um intuito aparente. Sábado foi a Eurovisão em Lisboa e tenho de falar do que aconteceu. Na verdade, vou centrar a minha crítica não é ao evento, nem à vencedora, mas sim aos fãs. Music is not fireworks is feeling. A frase que cravejou na história vitória portuguesa na Eurovisão, em um ano se esfumou. Perdeu o significado, ou melhor as pessoas tentam atribuir significado a coisas totalmente ao lado.
Netta Barzilai, a representante de Israel foi a grande vencedora da Eurovisão com o seu tema Toy. O tema (pessoalmente) não é dos melhores. Não tenho problemas com quem gosta (está no seu direito), mas peço que analisemos aprofundamento o tema. É um tema catchy com um ritmo a virar para a dance music e uma sonoridade moderna. Acho que aqui ninguém vai descorar. Agora vêm a parte que provavelmente os fãs desta música não vão gostar, isto é mais uma música comercial. Podemos argumentar que é ou não uma música comercial, mas é uma simples música comercial. Não há nada contra as músicas comerciais, elas tem o seu lugar. Quem nunca bateu o pezinho a ouvir o Despacito ou até fez a dança do Psy quando toca o mítico gangnam style que atire a primeira pedra a uma janela. Elas são feitas para uma easy listening e para a malta se divertir, tal como esta música. Agora onde é que veem esta canção como um hino ao movimento #Me Too ou um exemplo para o anti fat shaming.
Os únicos elos de ligação entre estes dois tópicos e a canção vencedora é a cantora, Netta Barzilai. De facto, a cantora é uma clara defensora de ambos os movimentos até antes da sua aparição na Eurovisão, mas digam-me onde no tema isso está presente? Desculpem, mas acham que o movimento Me Too ou um respeito pelo seu próprio corpo está presente neste tema só por conter as estrofes: “Look at me, I'm a beautiful creature/ I don't care about your modern-time preachers/ Welcome boys, too much noise, I will teach ya” É isto que é defender as pessoas que se chegam à frente com casos de agressões sexuais e assédio? Ou então está presente na parte galinácea e eu não percebi.
Não façam das pessoas parvas, este foi um tema com o intuito de ser catchy e ser cantarolado ao fim de duas escutas. Nada contra. Agora criarem à volta dela um significado que não existe é só irrisório. Não isto não é como um Rise Like a Phoenix que tem por detrás um significado de coragem e de perseverança (independentemente de quem cantasse) e isto não é um Amar Pelos Dois (que contém intrinsecamente uma mensagem de amor platónico e simplicidade).
Antes de começarem a atacar, isto não faz com que a música seja melhor ou pior, faz apenas com que a música não represente os valores acima referidos. O que aconteceu foi uma campanha de marketing à volta da cantora para capitalizar nestes valores. ISTO FOI TUDO MARKETING MEUS SENHORES! NADA MAIS! Tentem perceber isso. Ao contrário do que, por exemplo, com o Salvador Sobral que tentou desvirtuar o tema do que a comunicação social de associar um tema (que nada tinha a ver) à sua condição médica, Netta preferiu cavalgar na associação que os media fizeram. Como disse, isto não é uma crítica à música ou à cantora ou à sonoridade, é sim a ideia que querem associar da mesma.

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