Número 82 ─ Viagens de finalistas
Olá meus queridos e estimados
leitores e sejam bem-vindos a mais um texto bonito e belo, mas também belo e
bonito. O tema que vos trago é um clássico, é inevitável e admira-me ter estado
tanto tempo nas entranhas do meu cérebro e, só agora, tenha saído à rua, as
viagens de finalista. Talvez o motivo para que não tenha falado seja o facto de
não ter ido à minha. É verdade, eu sou aquela minoria que não foi à viagem de
finalistas do meu ano, contudo posso dizer que não tenho pena nenhuma de não
ter ido.
O mais parecido que tenho com
viagem de finalista é aquele acontecimento, aquela tradição nas férias da
Pascoa que a Associação de Estudantes do ISCTE gosta de denominar fim-de-semana
de Madrid. Ah! a viagem a Madrid, aquelas horas intermináveis de autocarro para
chegar a um campismo de bungalows na esperança de perder em Madrid duas das
coisas que nos fazem chegar à idade adulta, a virgindade e o fígado. Madrid é o
local de culto e de peregrinação para todo o aluno que se considera Iscteriano.
As histórias de Madrid tornam-se lendas que são passadas de geração em geração,
os vampiros, os estúpidos no telhado, o Filipe Martins Vaz bêbado. Eu acho que
as paredes do El Escorial necessitam de tratamento psiquiátrico para curar os
traumas.
Bem, depois deste à parte de um
parágrafo, vamos voltar ao tema. As viagens de finalistas são O ACONTECIMENTO
do secundário. Começa sempre pela contratação daquelas empresas de organização
de viagens de finalistas. Os alunos de secundário, dotados de um poder de
decisão de um qualquer líder político, decidem a sua empresa de eleição com os
seguintes critérios de extrema importância:
- Beleza dos monitores;
- Preço médio do álcool do local de destino;
- A cena que a tipa mais popular da escola quer porque é sempre ela que decide.
E, após a escolha e o pagamento
por parte dos pais da viagem que vai introduzir os seus filhos aos perigos das
DSTs, lá vão os destemidos membros do secundário para a viagem das suas vidas
(ou melhor é isso que pensam). Munidos de preservativos para 1 mês, como se
fossem o Zezé Camarinha, comprados no LIDL porque são mais baratos, estes
adolescentes sentem que como na música dos Daft Punk, eles têm esperança de
“get lucky”. E o que é que acontece? Bem 2 em cada 10 autocarros são logo
apanhados com droga e voltam para o sítio de onde vieram. O choninhas crominho
da turma apanha uma bebedeira tal mal chega ao hotel que fica a vomitar o resto
do tempo na piscina do mesmo. Há sempre um estúpido que acha: “Isto era giro
era roubar o extintor.” O casal popular da escola acaba mal fazem o check-in. A
rapariga mais caladinha torna-se mais promiscua que uma concorrente de reality
shows e, no final, o resultado no final da semana é menos 700 euros na conta do
pai, contudo trazem uma recordação para o resto da vida de borla, herpes e
cirrose. Porque vamos ser sinceros é isso que é a viagem de finalistas, uma
oportunidade para virar copos e parceiros sexuais como se não houvesse amanhã.
Alguns dos meus estimados
leitores devem estar a pensar de forma púdica: “Ai eu não fui nada assim.” E é
verdade, todavia 100% dos alunos que embarcam nestas viagens tem o mesmo
fundamento para as fazer, a experiência de liberdade, a retirada das algemas
postas pela sociedade e figuras paternais, a sensação de carpe diem. E, este ano como em tantos outros, as praias de Espanha
vão ser invadidas pelos alunos portugueses à porta da universidade, para a
despedida dos mesmos da escolaridade obrigatória. Sabem lá eles é que uma
grande parte ainda vai estar na mesma escola no ano que vem porque falhou nos
exames nacionais. Até para a semana.

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