Número 78 ─ Fogo estou velho e cansado

Olá meus queridos estimados e perfumados leitores e sejam bem-vindos a mais um texto. Esta semana será especial para mim, pois é a semana do meu vigésimo terceiro aniversário. É verdade, este vosso Gajo Que Diz Coisas aproxima-se claramente daquela idade mítica, os 25 anos, onde os jovens adultos se tornam adultos. Pode parecer estranho, eu considerar os 25 anos a idade de transição para a idade adulta e não os tradicionais 18 anos, contudo vou enumerar as minhas razões para esta ideia: primeiro, com 18 anos, em média estamos a entrar na universidade e a minha experiência é que muito poucos caloiros universitários atingem uma maturidade suficiente para os considerarmos adultos. Não, eu não estou a defender a ideia praxística de que: “Os caloiros são burros.” visto que muitos praxantes são bem piores do que eles, veja-se a quantidade deles que está a repetir cadeiras do primeiro ano pela terceira, quarta, quinta, sexta vez etc. Contudo, os caloiros estão na idade da experimentação, típica por exemplo de um cientista, fazendo tentativas-erros de muitos dos fatores preponderantes do que vai ser as suas vidas adultas. Sendo uma idade em muitos dos casos desconectadas de responsabilidades, responsabilidades essas que aparecerão à posteriori, como filhos, empregos ou relacionamentos sérios, considerar, na maioria dos casos, caloiros como adultos será um erro.

Segundo, e como referido anteriormente neste texto, as responsabilidades aparecerão à posteriori, e são essas mesmas que dão o estatuto de adulto, em termos mentais a uma pessoa. Um típico estudante abandona os estudos com 21 ou 22 depois de realizar o mestrado ou com 20 anos, após o términus da licenciatura. A estabilidade profissional demora algum tempo a contemplar-se, sendo que entre o fim dos estudos e a estabilidade profissional demorará 3 a 5 anos, e assim, vamos para os 25 anos como referido anteriormente. Quando refiro “estabilidade profissional” não digo com isto o “emprego para a vida”, esse conceito deixou de existir nos mercados de trabalho, incluindo o português, contudo experiência suficiente no mercado de trabalho para fazer melhores escolhas de emprego e um maior poder negocial com entidades empregadoras, o que é algo de extrema importância. E, em terceiro lugar, tipicamente, é a idade em que se começa a ponderar construir uma família: filhos, casamentos e afins. E, assim, vamos para os 25 anos.

Agora com perto de 23 anos posso garantir que, estou tão infantil como estava há um ano. A minha perspetiva de carreira, emprego ou família continua a mesma indecisão. Noto claramente que existe uma força especial, principalmente nas áreas de gestão e economia, de parte das universidades de nos encaminhar para um certo tipo áreas e um certo tipo de empresas. De alguma forma é como o curso ou o mestrado estivesse predestinado a uma carreira em específico. Não é que essas carreiras ou empresas sejam más, pelo contrário, mas no meu caso não iria me realizar na plenitude. Na verdade, nenhuma típica carreira iria. E é essa a principal diferença que sinto em geral dos alunos das áreas da gestão e economia para comigo, não quero descartar à priori nada em detrimento de outra seja por que motivo for, inclusive, dinheiro. Não quero chegar à reforma e começar com os “Ses”, “E se experimentasse isto…”, “E se tivesse ido por aquele caminho”. Prefiro condicionar de alguma forma a minha carreira ao nível vertical da pirâmide de posto do que horizontal.

Não sei até que ponto a minha opinião poderá mudar dentro de um ano, dois, três, até desde da elaboração deste texto até à sua divulgação, contudo é isto que sinto hoje quando olho para o computador, na sala de estudo do ISCTE a pensar que estou a ficar velho. Com isto dito, está na altura de divulgar que o meu aniversário foi ontem, e para todos aqueles que estão a ler e não me deram os parabéns, não se preocupem que não ligo nada ao aniversário. O facto de fazer anos no mesmo dia que a minha santa avó, que gosto tanto dela (tosse irónica inserida nesta frase) impede-me de alguma forma celebrar de forma efusiva isto. Mas família não se escolhe não é verdade? Sendo assim encontramo-nos na próxima quinta-feira à hora do costume. Abraços e cenas. 


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