Número 74 ─ O Natal da perspetiva dos protagonistas: “El Caganer” original

Olá meus queridos e estimados leitores e sejam bem-vindos a mais um texto. Espero que este mês de dezembro esteja a ser do vosso agrado. Não se esqueçam que todos os excessos deste mês serão refletidos nos vossos futuros corpos de Verão e ninguém quer parecer um leitão da Bairrada ao sol nas praias de Armação de Pêra. Nestas próximas edições dos textos, irão ler sobre os depoimentos dos protagonistas de um dos marcos históricos mais importantes de sempre, o nascimento de Jesus Cristo. Hoje encontrei um bonito depoimento sobre este marco num diário, o diário de Ezequiel António de Jesus, “El Caganer” original. Para quem não sabe, o “El Caganer” é uma tradição conhecida da Catalunha de colocar no presépio um personagem a defecar atrás do palheiro. Ora, qual é o meu espanto, numa das minhas viagens a Jerusalém quando me deparo com um diário de Ezequiel António de Jesus, o verdadeiro “El Caganer”, vamos ver as suas declarações e o que ele pensa sobre esta atividade festiva. Os mesmos estão documentados no que viria a ser o último dia de vida, 25 de dezembro do ano de 53.


“25 de dezembro de 53

Mais uma vez é Natal, a época que mais detesto. Detesto porque sem dúvida nenhuma sou a pessoa mais desprezada nestas festividades. Fui eu que fiz o parto de Maria Madalena, a que agora chamam Virgem Maria. Agora é vista como uma santa, contudo nessa altura tinha como alcunha Maria Vai Com Todos, o que explica parte da procriação miraculosa.

Há 53 anos, nasceu Jesus Cristo, e desde então, o presépio tem sido recriado em inúmeros bonecos e presépios vivos. Ora, que figuras são representadas? O menino Jesus, que tem lógica que se não fosse ele, não festejávamos o Natal. Cresceu e tornou-se um tipo porreiro, contudo emprestei-lhe 33 paus antes de ser sacrificado, na esperança que quando ele ressuscitasse me pagasse, mas está quieto ó Ezequiel, até agora nada. A Virgem Maria que pariu o menino, que tem toda a lógica ser representado. Contudo agora é que vêm a parte estranha das representações. José que nem sequer é o verdadeiro pai da criança. Um burro, uma vaca e ovelhas, animais que apenas estavam a olhar para o sucedido quando o nascimento estava a decorrer. Anjos, que para além de na verdade não terem aparecido, já naquela altura eram uma banda caída no esquecimento. Uma Estrela, porque realmente é das coisas mais mirabolantes que pode existir no mundo são estrelas à noite. E, por fim, os três otários dos Reis Magos que até com dias de atrasos chegaram. Então e o Ezequiel?

Para quem não sabe, fui eu que fiz o parto da Maria. Eu faço partos profissionalmente há 60 anos e fui chamado por José para ajudar a sua mulher. Pois, porque como sabem José nunca tocou na vagina da Maria, e sabem porquê? Nojo, José tem nojo de vaginas. Eu sempre achei isso esquisito, isso e cantar de cor as músicas do My Fair Lady. Ora, fui fazer este parto difícil que demorou 12 horas. Finalmente, tal como qualquer estrela de rock, ao fim de 12 horas de atraso, contudo à meia-noite em ponto, chega ao palco que é o planeta Terra. E, agora pergunto, onde está a minha representação no presépio? Eu digo-vos onde está. Há 5 anos, Deus apareceu e levou-me ao futuro onde descobri que apenas a região da Catalunha me representa e não da melhor forma. Ora após as 12 horas de parto do Nosso Senhor, deu-me vontade de defecar e fui atrás do palheiro fazer as minhas necessidades, e foi assim que os estúpidos dos Catalões me representaram, a defecar. Se não fosse eu, não havia cá Jesus Cristo, todavia Ezequiel só é representado a defecar, a forma mais ridícula de sempre. Pior ainda, sei que nesse futuro que Deus me levou, por vezes a minha figura é substituída por famosos como Cristiano Ronaldo. Não podiam trocar a figura do burro para colocar os famosos? Tinha de ser a minha? É uma vergonha!”



E, assim me despeço, um forte abraço a todos os meus leitores e espero por vocês na próxima semana.






Comentários

Mensagens populares deste blogue

Número 142 – Goodbye mom

Número 109 ─ Os Dez Mandamentos: Parte V “Não matar (nem causar outro dano, no corpo ou na alma, a si mesmo ou ao próximo)” (e alguns pontos sobre a eutanásia)