Número 66 ─ Os limites do humor
Bem-vindos meus queridos e estimados
leitores e sejam bem-vindos a mais um texto. Curiosamente, este tema foi um dos
primeiros temas que pensei para o blogue, mas tive de esperar algum tempo para
finalmente o abordar, os limites do humor. Eu acho que é uma daquelas perguntas
que fazem a todas e quaisquer pessoas que trabalham com o humor. É “O que dizem
os teus olhos” dos engraçadinhos e um dos temas que mais reflito ao longo da
minha vida.
Na minha opinião, não existem
limites ao humor, existem sim limites de cada um de nós. Esta diferença subtil
na forma como vejo as coisas pode parecer inexistente, contudo, para mim, faz
toda a diferença. O humor para mim é uma arte, e como tal, tentar criar limites
à partida à arte faz com que a possibilidade de criarmos humor novo e inovador
se possa dissipar. O que pode acontecer é existir humor que cada individuo não
queira consumir ou não ache piada, agora não pudemos impedir que as outras
pessoas consumam esse mesmo tipo de humor. As pessoas confundem direitos
completamente diferentes, o direito de ficar ofendido com uma piada, com o
direito de impedir que essa piada seja divulgada. Qualquer um de nós pode ficar
ofendido com uma piada, mas não pode tentar despedir o humorista ou ameaça-lo
ou ofende-lo, isso é completamente ridículo. Deste modo não deve existir temas
tabus no mundo. É possível criar humor brilhante com qualquer temática, desde
as mais sóbrias, às mais alegres, das menos conhecidas às mais corriqueiras.
Portugal está inundado de virgens
ofendidas o que faz que por vezes seja impossível fazer humor neste país, isto
deixa-me completamente enjoado. A brigada do politicamente correto não trouxe
nada de bom à sociedade, pelo contrário. Sinceramente, eu acho que as redes
sociais são a pior censura alguma vez criada ao humor, pior até que o lápis
azul. Uma das piores coisas que foi dada a pessoas com mais de 65 anos, foi o
Facebook. Os velhos contaminaram o Facebook. Esta brigada do reumático inundou
esta rede social e comenta tudo o que é notícias pelo título, insulta tudo o
que é pessoas. O que se devia de fazer a pessoas que fazem este tipo de coisas
era impossibilita-los de ver O Preço Certo, o Você Na TV e aqueles programas de
música pimba de domingo à tarde durante um mês para verem como elas doem.
Eu acho estranho ver que os temas
que geram mais revolta às pessoas são os temas que os afetam ou caraterizam, ou
seja, religião, mortes, doenças como o cancro e, finalmente, o futebol. Quando
listamos estes temas vemos como é estúpido o futebol estar nesta lista. É assim
tão ofensivo fazer uma piada com o nosso clube de futebol? É uma estupidez
pegada vivermos num mundo em que podemos levar porrada se fizermos piadas com o
Benfica, Sporting ou Porto, ou qualquer outro clube de futebol. Quem ameaça uma
pessoa por causa de um clube só demonstra que Darwin tinha razão quando revelou
que o ser humano evoluiu do macaco, porque ainda existem macacos a passarem-se
por pessoas. Quanto à religião, só tenho uma coisa a dizer: só podem dizer que
uma piada é ofensiva se tiverem a certeza que Deus não gostou dela, até lá
olhem… continuem rezando. A morte no meu caso, por exemplo é uma forma de
ultrapassar o problema fazendo piadas sobre o mesmo, e as doenças também. Tive
casos, na minha família, bem próximos de doenças como o cancro e o humor sobre
o mesmo tema pode tornar a dor mais suportável e até menos negra.
E assim me despeço deste tema
algo polémico com a única piada que não ofende ninguém numa tentativa de
agradar todos os públicos: “ “.
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