Número 62 ─ Inveja
Muito boa tarde meus leitores e
sejam bem-vindos a mais um bonito texto do blogue. Hoje exploramos pela quinta
vez seguida um pecado capital e, em termos pessoais, este era o pecado que mais
queria falar, a inveja. Começamos esta análise como as restantes quatro
analises já feitas aos pecados capitais deste blogue, com a definição do
Wikipedia: “A inveja (do latim invidia) é
o desejo exagerado por posses, status, habilidades e tudo que outra pessoa tem
e consegue. É considerado pecado porque uma pessoa invejosa ignora suas
próprias bênçãos e prioriza o status de outra pessoa no lugar do próprio
crescimento espiritual. O invejoso ignora tudo com que foi abençoado e que
possui, para cobiçar o que é do próximo.” Antes de começar eu tenho inveja
de uma pessoa em particular, e sinceramente foi a primeira vez que senti inveja
a sério na minha vida. Não, não é uns piadistas de terceira liga, é sim de,
para mim o comediante mais genial que alguma vez vi na minha vida, à exceção
clara de Rowan Atkinson (ainda não explorei os Monty Phyton a sério para os
juntar a este pedestal), o nome dele é Bo Burnham. Como Bo? como consegues ser
tão talentoso? Quem não conhece este génio, vá ao YouTube e veja os vídeos
dele. Vão fazer um favor a vocês mesmos.
A inveja é algo tão intrínseco ao
ser humano. Desde que somos crianças, a inveja fica plantada na nossa massa
cinzenta fazendo parte daquilo que nós realmente somos. Um exemplo claro deste
facto é quando uma criança não está a brincar com um brinquedo e damos esse
brinquedo a outra criança e esta começa a chorar a pedir o brinquedo. De facto,
tudo na vida só se torna apetecível se outro tiver algo. Esta ideia criou a
indústria da moda, por exemplo, onde celebridades e modelos usam peças de roupa
e acessórios e aumenta exponencialmente a nossa necessidade de adquirir esses
mesmos produtos. Eu tenho um exemplo algo bizarro e pessoal deste fenómeno.
Para quem não sabe, eu sou um enorme fã de wrestling, e um dos meus lutados
favoritos é/era (porque não sei se ele vai voltar a lutar) o CM Punk. Por
altura de novembro de 2012, quando o SmackDown veio pela última vez a Portugal,
a WWE lançou uma camisola horrível do CM Punk amarela. Ora, obviamente, quando
a WWE veio a Portugal, qual foi a camisola que o Bruno comprou? Exato, a
horrível camisola do CM Punk, pior ele nem sequer estava nessa tour, mas GOD
DAMMIT era uma camisola do CM Punk.
A inveja demonstra-se de várias
maneiras. Se achas que nunca tiveste inveja (algo que é impossível), vê se
alguma vez disseste estas próximas frases, talvez essa tua crença possa estar
errada: “És tão magra, como é que consegues?”, “Deves estar sempre agarrado aos
livros para teres essas notas”, “Como é que aquele gajo feio e gordo conseguiu
aquele avião?!”… Acho que são exemplos bastante ilustrativos.
Na minha humilde opinião, o tipo
de inveja mais natural tem a ver com o talento de uma pessoa. Obviamente,
talento é só uma parte de história. Uma pessoa que tem um talento predominante,
seja desportivo ou envolvendo alguma forma de arte ou entretinimento, tem uma
parte pequena de talento natural e a maior parte treino exaustivo. É assim que
desportistas, como o Cristiano Ronaldo, chegaram onde chegaram ou músicos como
o Slash. Contudo, este percentual pequeno de talento é por vezes um deal breaker. Se tu não tens alguma
vocação inicial, provavelmente nunca chegarás ao estatuto de transcendente
nessa mesma classe. Claro que devem haver exceções, contudo na generalidade dos
casos tem de haver algo natural da pessoa para ser excelente numa área, como o
desporto ou a arte. Quando vemos vídeos do Ronaldo em miúdo, vemos que ele já
tinha talento. Quando vemos vídeos do Justin Bieber mais novo, vemos que ele
para a música não tinha jeito, mas era capaz de vender CDs para as pitas.
Quando vemos a certidão de nascimento do David Carreira, vimos logo pelo
apelido iria um dia esgotar o Campo Pequeno. Agora para todos aqueles como eu,
que eramos coxos a jogar à bola em miúdos, muito mais eu que sofria do estigma
o gordo vai à baliza, seria muito difícil sequer sonhar jogar no Pischeleira
quanto mais no Barcelona e daí a nossa inveja dos “craques” que nos obrigavam a
estar horas no centro da rabia.
E assim me despeço que já se faz
tarde e tenho que ir digerir um leitão da Bairrada. Antes disso convém voltar a
sugerir mais um pecado mortal, como tem sido costume nestes textos, a
gabarrice. A gabarrice é o ato de ser gabarolas, e todos nós temos o nosso
amigo ou amiga gabarolas. Aquela pessoa que se arma em boa por tudo ou por
nada. “Eu comi sete gajas ontem no Urban”, “Eu fiz uma tese de 20 valores”, “Eu
sou a mais bonita do meu grupo”. Claro que todos os comentários gabarolas têm
sempre um “mas” não proferido pelo gabarolas: “Eu comi sete gajas ontem no
Urban MAS tive de pagar para isso:”, “Eu fiz uma tese de 20 valores MAS para
isso tive de ir ao castigo do Taveira.”, “Eu sou a mais bonita do meu grupo MAS
gastei 20.000€, abuso imensamente de maquilhagem e não tenho nenhum grupo e
passo a vida chorar debaixo do chuveiro enquanto canto músicas da Adele”.
https://www.facebook.com/ogajoquedizcoisas/
https://twitter.com/ogajoquediz
https://www.instagram.com/gajoquedizcoisas/

Comentários