Número 30 ─ Esta vida de solteiro está a dar cabo de mim…

Olá meus queridos e estimados leitores e sejam bem-vindos a mais um belo e bonito texto nesta reluzente quinta-feira. Este tema que vos trago está cada vez mais na moda e sendo que foi a minha realidade durante 21 anos, acho que, na minha humilde opinião, mais cedo ou mais tarde, teria de abordar. O tema que vos trago é a triste vida dos solteiros na sociedade atual. O tema foi impulsionado pelo livro que me encontro a ler atualmente que aconselho vivamente O Amor nos Tempos Modernos de Aziz Ansari. O livro retrata o tema de forma completa com toques de humor, não fosse este um livro de um dos melhores atuais comediantes de stand-up. A questão central deste livro e consequentemente do meu texto é: “Porquê é que se tornou tão difícil entrar numa relação nos dias de hoje?”.
Antes de começar a me debruçar mais aprofundamento sobre este assunto (agora me apercebo de quão mal soa esta expressão no contexto de relações), devo referir que não estou a focar-me em relações sexuais. Na questão das relações de caráter sexual talvez seja cada vez mais fácil encontrar alguém para uma noite de paixão a dois, a três, a cento e vinte e sete, etc. O facilitismo remoto em nos dirigir a espaços de diversão noturna (nem é necessário nos dirigirmos ao Vale de Santarém qualquer PLACE é suficiente) e encontramos um bom número de gente que tal como nós quer acabar a noite na cama com um desconhecido. Quero antes de mais salientar que não considero qualquer problema nestes comportamentos, sexo consentido é algo perfeitamente normal, contudo talvez esta normalidade tenha influenciado a tentativa de encontrar a pessoa certa.
Para mim um dos problemas de conhecer alguém é a preocupação com a minha própria descendência. Graças a deus estou neste momento numa relação que se aproxima do seu primeiro aniversário, porém levou-me vinte e um anos, repito vinte e um anos para a encontrar. Nesses vinte e um anos não tive qualquer tipo de relação, incluindo um simples beijo nos lábios. E isto deve-se a alguns motivos altamente distintos: primeiro não só nenhum Brad Pitt, segundo eu sou algo diferente da geração na qual me insiro: detesto sair, acho as discotecas estúpidas, gosto de ler coisas altamente alternativas, tenho o gosto musical de uma pessoa de 50 anos (hard rock dos anos 80) e, como dito no texto anterior, sou altamente geek. Foi extremamente difícil encontrar alguém com gostos semelhantes. A minha geração não pensa com a cabeça, pensa com as hormonas (para os homens com a outra cabeça).
Como sofri de solteirice crónica durante tanto tempo tenho qualificações suficientes para falar da dificuldade para encontrar alguém. Um dos problemas das pessoas da minha idade é a falta de maturidade dessas mesmas pessoas para relações. Desculpem dizer-vos, mas pessoas que dizem “Espero encontrar o/a homem/mulher da minha vida” e vão para o MAIN com roupas reveladoras são completamente incongruentes. Desta forma, as pessoas que simplesmente querem encontrar alguém para passar o resto ou pelo menos parte da sua vida torna-se extremamente difícil.
A escolha da pessoa correta é a tarefa mais complicada do mundo. Tentar encontrar uma pessoa com muitos pontos de interesse em comum é extremamente difícil. Por vezes tentamos nos envolver com amigos que conhecemos há muito tempo, mas sofremos a possibilidade de acabar uma amizade importante. A outra possibilidade é recorrermos a conhecidos do nosso círculo de amigos numa tentativa de nos ajudar, todavia as escolhas que nos apresentam são tão boas como a sua playlist no Spotify (o melhor de Maria Leal só para ti) ou, num ato de desespero mergulhamos no mundo obscuro do online dating.
Os sites de encontro online têm um estigma tão avultado que há pessoas que preferem contar que se conheceram na casa de banho do Urban do que num desses diversos sites que inundam a web. Estes sites ajudam a procurar pessoas com características muito específicas é como se usássemos o Google para procurar “rapariga de enormes seios que goste de Star Wars e que goste de caixa de óculos” (talvez seria a minha pesquisa nestes sites). Pergunto-me é se a perfect match é a melhor pessoa que nos podia calhar. Será que por exemplo a teoria dos opostos se atraírem é mesmo verdade? Se for, toda a premissa destes sites é tão incorreta e descabida como os programas de domingo à tarde da TVI.
Com mais nada para acrescentar me despeço. Tenho que ir criar perfil no site www.rapazesdeoculos.com para ver se esta carinha de nerd do Big Bang Theory faz de mim um Dom Ruan ou não. Espero-vos para a semana com mais um texto.  

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