Número 31 ─ A vida são dois dias, mas no Carnaval perdes os três

Olá meus queridos e estimados leitores e bem-vindos a mais uma criação de estupidez elevada. Vamos terminar a análise à Santíssima Trindade das alturas estúpidas do Ano e a única que não decorre em dezembro, o Carnaval. Desde de tenra idade que ando a tentar perceber o porquê da existência desta altura do ano.  Segundo a Wikipedia, fonte total de conhecimento profundo, «O Carnaval é uma festa que é marcada pelo "adeus à carne" que a partir dela se fazia um grande período de abstinência e jejum, como o seu próprio nome em latim "carnis levale" o indica. Para a sua preparação havia uma grande concentração de festejos populares. Cada lugar e região brincava a seu modo, geralmente de uma forma propositadamente extravagante, de acordo com seus costumes.». Curioso ao analisar esta definição só posso pensar que a carne de vaca deve ser uma exceção a este jejum.

Na minha juventude, o Carnaval já era algo esquisito, contudo aos olhos de um miúdo, tem a sua piada. Vestimo-nos das personagens que gostamos, brincamos com serpentinas, etc. Depois desta idade, as pessoas dividem-se em três grupos distintos: os que já não gostam de se vestir de personagens, os que continuam a vestir para se divertir com outras pessoas (e não não se chama Carnaval chama-se Cosplay e é fucking awesome, VIVA À COMIC COM) e os tipos que se vestem para engatar pessoas num nesses variados Carnavais que existem por aí. E assim nasce os fanáticos do Carnaval.

Uma das coisas interessantes do Carnaval é o clubismo do Carnaval: Ovar, Mealhada, Loures, Torres Vedras, etc. todos se gladiam pelo direito de serem o melhor Carnaval de Portugal, isso ou a melhor imitação de Carnaval do Brasil. Vamos ser sinceros, ninguém, ninguém faz um melhor Carnaval que os brasileiros. Tudo advém da preparação, da atenção e do investimento monetários que estes fazem face aos lusitanos. Não há nada de mal com isso, o que há de mal na minha opinião é o “brasileiramento” dos Carnavais de Portugal. Quando ligo a televisão por altura do Carnaval parece que estou a ver um Carnaval do Brasil dos chineses, gordas com celulite e sem talento a ter espasmos musculares a fingir que sabem sambar. De todos os Carnavais o único que não padece deste mal é o Carnaval de Torres Vedras. Contudo dizer que este Carnaval é perfeito é de longe de ser verdade. Este Carnaval é mítico, mas pelas mesmas razões que o Urban é mítico, pela existência de facilidade de encontrar parceiros para o ato do prazer carnal. De facto, páginas como “Comi-te no Carnaval de Torres” só ajudam a esta lenda. Na verdade, o Carnaval de Torres aprimora por, entre outras coisas, as matrafonas de qualidade, os cabeçudos de primeira e o álcool em quantidades industriais. O resultado é simples: atos de caça sexual que deviam ser documentados pela BBC.

A viragem para a sexualidade do praticante do Carnaval faz desde logo pelas máscaras de Carnaval utilizadas ao longo dos anos. Em idades mais jovens temos fatos como polícias, palhaços, enfermeiros, médicos, etc. Com o passar dos anos as profissões mantém-se, contudo, é adicionando um adjetivo no final: polícias sexy, palhaços sexy, enfermeiros sexy, médicos sexy, etc. A palavra que caracteriza os fatos deixa de ser máscara para ser fantasia e provavelmente são compradas em sites como a Vibrolândia.

Sem mais demora me despeço. Vou então comprar a minha fantasia de Tony Carreira. Espero por vocês para a semana com mais um texto.


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