Número 20 ─ A prova que mais não significa melhor
Finalmente chegamos meus queridos
e estimados leitores, o tão aguardado vigésimo texto, um acontecimento apenas
equiparável à vitória de Portugal no Europeu de futebol este ano, ou quando o
Steve Aoki acabar a carreira. Continuo a não acreditar que a minha diarreia
mental chegou para proporcionar material suficiente para vinte textos. Já agora
para quem sofre de diarreia mental como eu, aconselho vivamente a tomarem um
imodium juntamente com um cerebrum.
Hoje trago-vos um dos assuntos
mais problemáticos na vida escolar, académica e profissional, trabalhar em
grupo. O problema de trabalhar em grupo é que as pessoas não são todas iguais,
se as pessoas fossem todas iguais trabalhar em grupo seria bastante fácil. Por
este motivo calculo que o país mais fácil de fazer trabalhos de grupo seja a
Coreia do Norte.
Os trabalhos de grupo nunca são,
na sua essência um trabalho de grupo. Parece que independentemente do número de
pessoas apenas duas a três pessoas trabalham. Será que numa orgia acontece o
mesmo fenómeno? Eu fiquei com pavor com trabalhos de grupos desde uma das
últimas cadeiras que tive na licenciatura, Projeto Empresarial. Se trabalhar
por vezes com quatro já é mau, imaginem com oito. É uma representação perfeita
do que é o inferno na terra. Quero salientar que eu não me importo de trabalhar
com muitas pessoas, quando as pessoas estão realmente interessadas no trabalho,
contudo neste trabalho o interesse das pessoas no trabalho em si não era o mesmo.
Duas das pessoas não tinham interesse no trabalho em si, tinham interesse na
sua nota e na sua média. Eu não me importava que elas tivessem preocupação
pessoal com a nota delas, porque eu sinceramente não tinha, pelo contrário,
podiam chumbar que era para o lado que dormia melhor desde que o mesmo não
acontecesse comigo. Não obstante, se precisas da nota, pelo menos esforçaste e
não ficas à espera que os outros façam para ficares com os louros.
O meu problema maior com estes
dois seres, animais que, se diga faz-me confusão chamar racionais,
principalmente a uma delas, é não saber as limitações pessoais e ainda pior não
saber onde é que és bom. Foi literalmente um martírio fazer este trabalho, foi
das piores coisas que alguma vez tive de fazer e atenção eu já vi um concerto
do Steve Aoki.
Curiosamente este grupo consegue
ser um ecossistema de todos os grupos de trabalho no mundo. Vamos então
dissecar um grupo típico:
- O Rei das desculpas ─ antes de começar quero dar um grande abraço ao meu amigo Filipe Martins Vaz. Este tipo de pessoas é o tipo que anda sempre atrasado. É aquele tipo que se combina começar o trabalho às 10 da manhã e o tipo aparece às 6 da tarde e depois tem sempre uma panóplia de desculpas para o atraso: desde trânsito a adormecer, de problemas intestinais ao funeral das pulgas do cão da vizinha. Ele tem sempre, mas sempre desculpa;
- O stressado ─ é o gajo que desde o primeiro minuto está preocupado com o prazo do trabalho. Barafusta com tudo e todos e mete todos os membros stressados;
- O tipo que não sabe nada ─ é aquele tipo que não queríamos ter no grupo, contudo o professor obrigou a termos no grupo. Nenhum dos restantes membros sabe como aquele membro passou às cadeiras e sinceramente nem ele. É o chamado membro âncora, é o tipo que arrasta o grupo. Tudo o que faz está completamente errado e mau e tem de ser refeito. É o efeito invertido de Midas;
- O que está tudo bem ─ é o tipo que o stress não o afeta, é o apaziguador. É aquele que faz o seu trabalho e bem nas calmas não se preocupando com o resto. Para ele está tudo bem, calculo que em termos de bolinhos holandeses deve papar uns quantos antes dos trabalhos;
- O que pensa que sabe tudo ─ é aquele tipo de pessoa que pensa que sabe fazer tudo e é bom em todo, contudo quando vamos a ver não sabe nada. E acreditem no meu grupo esta sabichona com mania de menina de Cascais era tão irritante como enjoadinha que me admiro de ter namorado;
- O que não faz nenhum ─ é aquele tipo que está no grupo, todavia quando vamos ver o contributo que ele teve no trabalho é nulo. Há duas formas de este tipo de pessoas não fazer nenhum: número 1, ser o primeiro a escolher o que fazer e normalmente vai escolher coisas simples como a capa ou a introdução, ou, número 2, ser o último a escolher e fica sempre com as coisas mais simples porque os outros, burros, vão para as coisas mais complicadas.
E, desta forma, me despeço deste
vigésimo texto. Espero por vocês no próximo texto com mais estupidez em forma
de composições.

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