Número 16 ─ It's a beautiful night,/ We're looking for something dumb to do./ Hey baby,/ I think I wanna marry you.
Olá a todos os meus queridos e
estimados leitores. É quinta-feira, meio dia e meia, desta forma, só significa
uma coisa, mais um texto para vosso deleito. O tema de hoje está relacionado
com relacionamentos, mas desta vez trago-vos não tipos de relacionamento, mas
sim de, uma direi “fase” dos relacionamentos, casamentos. Quando falo de casamento
falo daquela piroseira que é o ato de casar.
Antes de começar, tenho para
esclarecer que a ideia de celebrar a união entre duas pessoas é algo que não me
assiste, todavia eu detesto a ideia do casamento tradicional. A premissa que
vos apresento com este texto é simples, ninguém gosta de casamentos. Vamos
analisar algumas perspetivas de diferentes pessoas que estão ligadas a uma
cerimónia de casamento.
As noivas – digam o que disserem, as noivas são as personagens principais de um casamento. As noivas andam a sonhar com o casamento desde que tinham quatro anos à espera deste momento, do casamento de sonho igual às das princesas da Disney.
O dia finalmente chegou, elas
olham para o vestido, olham para a decoração e por fim para o noivo e descobrem
que não há nada que esteja bem. O vestido faz-lhes parecer um hipopótamo bebé,
a decoração faz parecer que aquilo não é um casamento, mas sim uma banca da
Feira da Ladra. E, por fim, o noivo, o que devia ser o príncipe encantado, é,
de facto, um tipo do tamanho de um minion e com a beleza de sanita da casa da
avó. Nesse momento ela apercebe-se do erro que fez, que o homem da vida dela era
aquele tipo da faculdade que a amava, todavia ela deu-lhe com os pés e, agora,
ele está a ter uma vida de sonho, em Barcelona, cheia de sucesso e ela está
prestes a casar com um monte de esterco sem sucesso nenhum que vai viver às
custas dela até ao final da vida.
As noivas são os monstros altamente
controladores de uma cerimónia de casamento. Parece que estiveram a preparar a
vida toda, a fazer todos os cursos de planeamento de casamentos de todo o mundo,
para este momento. Os noivos só têm uma coisa a dizer no casamento, “O Sim”.
Os noivos – são os gajos tristes bem vestidos num casamento. Na
verdade, os noivos não se queriam casar com as noivas, eles foram quase que
obrigados pela noiva a fazer o pedido de casamento. Nessa altura tiveram a
brilhante ideia “Epa se formos noivos para sempre não temos de nos casar”,
contudo, infelizmente, devido a sexo sem proteção um pequeno ser humano está a
nascer no ventre da moça e o pai da moça foi à porta da casa do noivo com uma
espingarda, um smoking a dizer “Vais-te casar no próximo fim-de-semana filho da
mãe.”. O noivo ao longo da cerimónia vai-se apercebendo do seu triste futuro
monógamo, olhando para as amigas boas da sua agora mulher com aquele ar de
cachorro abandonado sabendo que nunca mais terá isso.
Os pais dos noivos – também conhecidos como os otários que pagaram
por tudo. Os pais do noivo estão a olhar para a noiva como se ela fosse a maior
pega de sempre, principalmente a mãe do noivo.
As sogras são os diabos em figura
de gente para as noras. As sogras pensam que as noras são as responsáveis por
todo o mau do mundo quando na verdade são apenas a representação de algo
inevitável, porém, difícil de engolir, o facto dos seus filhotes não precisarem
mais dela. Nessa altura parece que o medo de serem inúteis para o mundo as
absorve. Na cabeça delas, as noras vão ser as responsáveis por elas morrem num
lar sem a visita do filho. Este é o maior medo das mães, quer elas querem quer
não, é o medo do desprezo dos filhos. Não acham estranho as mães mudarem
completamente o comportamento para com os filhos quando eles chegam à casa dos
vinte? É simples, têm medo de serem as velhotas sozinhas no lar, porque todos
sabemos: as mulheres vivem mais que os homens. Eu não conheço viúvos, daí eu
desconfiar que elas são, de alguma forma ou de outra, as responsáveis pela
nossa morte.
Voltando ao
verdadeiro tema deste texto, depois temos os pais da noiva ou melhor o pai da
noiva. O pai da noiva é o pesadelo de qualquer noivo. Eu não quero imaginar o
que é conhecer o progenitor de uma rapariga que foste para a cama, isto porque
se tiver uma filha, eu não quero conhecer o rapaz que foi para a cama com a
minha filha, porque não sei o que lhe fazia. O terror dos noivos e a raiva dos
pais, é algo extremamente difícil de prever.
A verdade é,
eu sei tal como qualquer pai de uma noiva sabe, que ela vai fazer sexo,
provavelmente antes até daquela cerimónia, pois já ninguém espera pelo casamento.
Agora que penso nisso, devia ser lindo quando na altura que o mais comum era
esperar pelo casamento para ter a primeira vez, o pai fazer aquela tradição de
levar a noiva ao altar, porque basicamente o que o pai está a fazer é levar a
sua menina a ter com o gajo que vai dar a sua primeira relação sexual nesse
mesmo dia. Voltando para a era atual, claro que ao contrário de tempos mais longínquos,
a probabilidade de os pais entregarem uma filha virgem ao altar é muito remota.
Atualmente, acho que quando os pais estão a entregar as filhas rezam para o
Benfica jogar em casa nesse dia para estragar a noite de núpcias aos noivos.
Para esses pais aconselho vivamente a pararem de rezar, mais vale o Benfica
jogar fora porque se jogar em casa faz com que os treinadores tenham que
experimentar coisas e vamos só dizer que a vossa filha vai estar durante dois meses
sem se conseguir sentar no banco.
O padrinho do noivo – é o gajo que
ainda está com a bezana da despedida de solteiro no Elefante Branco. Ele no
casamento continua com a bezana para esquecer que aquela foi a última vez que
teve tempo de gajo com o seu bro favorito. Acabou. Agora o seu amigo vai
envergar numa vida de responsabilidade e monogamia e nunca mais vai poder fazer
uma ménage com ela e a uma gorda e acabavam com os dois na cama em conchinha.
Ele está a beber para esquecer e vai acabar com a avó do noivo de novecentos
anos viúva na cama, porque esse é a última história do filme American Pie que
ele pode fazer.
A madrinha da noiva – é a gaja bem
vestida que está envergonhada, porque antes da cerimónia andou aos pinotes com
o noivo na parte de trás da igreja enquanto o próprio padre olhava com
desaprovação. O padre só não disse nada, porque aquilo foi a coisa mais
entretida que houve na igreja desde que um puto vomitou para a pia da água
benta no seu batizado. Vai ser a bitch que vai sempre falar mal do noivo,
porque já o experimentou e não precisa que a amiga passe pela mesma má
experiencia.
Os restantes amigos dos noivos – são
aqueles tipos que vão para um casamento com o mesmo intuito com que vão para o
urban, fazer sexo com desconhecidos. Sejam amigos ou amigas vamos ser sinceros
já que vão ter de levar com a seca de
uma missa e gastar um rio de dinheiro para o aluguer de uma vestimenta mais
pipi, vão fazer render.
A restante família dos noivos – são
aqueles tipos que só vão para não parecer mal. Não há nada pior do que sermos
aqueles familiares que vamos a um casamento de um familiar afastado, que só
estamos com eles uma vez de quatro em quatro anos, para não parecer mal. São
aqueles tipos que depois têm de dar a porcaria dos quinhentos euros que nesta
altura tanto custa ganha-los, porém temos de dar os quinhentos euros porque a
prima nos disse que a prima que tu não gostas ia dar quatrocentos euros e tu
queres parecer superior. Para esses familiares que ninguém conhece, só há uma
coisa que esperam com ansiedade num casamento: o copo de água, a altura que
comem e bebem que nem uns porcos, como se não comessem há um mês. Há sempre
aquela tia gorda que se serve da mesa dos doces como se fosse alimentar uma família
de etíopes.
Todavia, em
todos os casamentos, o copo de água é sempre desilusão. Quando vemos a ementa e
lemos algo como “creme aveludado de aves” ficamos logo com água na boca, mas a
porcaria do creme aveludado de aves é uma reles canja de galinha, que nem
galinha como deve ser tem, nem a porcaria daqueles ovos que não são bem ovos
possuí. E lá estão esses familiares a olhar para o prato com desilusão, e, para
consolar-se, começam a emborcar tudo o que tenha álcool naquele restaurante.
E, desta forma, me despeço. Tenho que confessar que não estava à espera de fazer um texto tão grande, contudo, foi a forma que encontrei para tirar de cima de mim todas as frustrações dos últimos dias, principalmente, e se ler isto ela sabe quem é, da filha da mãe que tirou toda a minha confiança nas pessoas. Que alegria para a minha vida perceber que alguém que confias é na verdade um tipo reles de pessoas. Se leres isto só tenho uma coisa para dizer: vai e não voltes, a sério, já que para o ano vais fazer aquela viagem que ambos sabemos, fica por lá, ou então vai para outro planeta. Não quero sequer olhar para a tua fronha de alguém que acabou de acordar com o cabelo da bruxa da feira popular. Para todos os outros, tenham uma excelente semana e volto para a semana.

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