Número 13 ─ Os Millennials Contra-atacam

Boa tarde queridos e estimados leitores, bem-vindos a mais um texto de O Gajo Que Diz Coisas e aviso desde já que, ao contrário de outros textos, este não tem como intenção principal fazer uma espécie de humor sarcástico, este é apenas uma resposta a duas pessoas da minha família sobre as críticas que fazem à minha geração.

Quero desde já salientar que, sei que muitas pessoas das gerações que irei criticar não só, não são como irei descrever como não fazem o tipo de críticas à minha geração que estes dois seres fazem, porém sei que esta opinião não é apenas destas duas pessoas que partilham parte do meu código genético daí tê-lo publicado para tentar mudar a ideia destas pessoas. Sei perfeitamente que estas duas pessoas pela falta de interesse que têm por mim e por tudo o que faço nunca iram ler este texto, porém pode ser que chegue a pessoas que pensem desta maneira, que façam estas críticas e pode ser, de uma forma mais remota, que pensem antes de voltar a criticar esta minha geração.

Antes de começar a defender a minha geração, quero começar por apresentar as críticas à mesma. Para estes seres a nossa geração é um grupo de malcriados, uma cambada de nem-nem ou ninis, em espanhol (nem trabalham nem estudam), estudamos até aos trinta anos porque não queremos trabalhar e estamos nas casas dos pais porque adoramos não fazer nenhum. Meus caros, não podiam estar mais enganados.

A malcriação que tanto vocês falam, no meu caso assumo que tenho, existe porque não é ao fim de vinte e um anos de uma clara falta de interesse pela minha vida, pelos meus gostos, pelos meus interesses que agora vão se meter não só na minha vida como nos meus gostos e interesses. Esse é o problema maior entre a minha geração e a geração dos nossos pais. Com a desculpa de trabalharem e por isso estarem cansados não tentaram nos conhecer. Caros pais, não é por nos terem concebido que nos conhecem. Não esperem que depois de uma década de desinteresse pela nossa vida que vamos esperar que agora vocês façam os papéis de pais e mães que deviam fazer há pelo menos quinze anos.
Agora abordando a crítica dos ninis como maiores representantes da nossa geração, meus caros antepassados, um número reduzido de pessoas que podem representar uma geração. O facto da geração com o maior número de licenciados ser um pouco redutor e dizer que não trabalham é uma falácia enorme. O que é verdade é que o primeiro emprego acontece de forma tardia, porém chamarem nos calões é extremamente ofensivo.

O mercado de trabalho para o primeiro emprego de recém-licenciados é, atualmente, sem dúvida, o mais difícil de sempre. As empresas, comandadas pela vossa geração, procuram dois fatores muitas vezes antagónicas, pessoas jovens e experiências. Assim, para conseguirmos esses dois fatores temos de nos sujeitar por vezes a estágios de verão não remunerados. Meus caros, a vossa geração implementou na nossa geração a ideia de que trabalhar sem ser remunerado é normal. Eu gostaria de chegar ao pé de qualquer um de vocês e dizer o seguinte: “Bem agora vais trabalhar cinco a seis horas diárias, e já agora, irás fazer isso sem receberes só para puderes por no teu CV e no teu perfil de LinkedIn, para que, quem sabe um dia possas receber um salário um pouco maior do que o salário mínimo em regime de um contrato a prazo de seis meses.” Para vocês, meus caros, pode parecer surreal, para nós, é a realidade em que vivemos, uma realidade que confrontamos todos os dias. E, já agora, que temos a mão na massa vou levantar um tema algo controverso. Se a vossa geração é assim tão melhor trabalhadora que nós, é só por causa de sermos mais baratos, ou na verdade, os CEOs das empresas, CEOs esses da vossa da geração, veem competências que a vossa geração não possui?

Eu, todavia, não sou nem estúpido nem cego. Sei, perfeitamente, de pessoas da minha geração que não só não trabalham nem estudam como gozam com a fonte de sustento deles, os pais. Eu tenho repúdio destas pessoas. Aos vinte e um anos a coisa que mais ambiciono é liberdade financeira. Não vejo o dia em que não tenho que dar satisfações da minha vida a ninguém, mas estas criaturas ao contrário de mim e diga-se grande parte da sua geração, preferem viver com os pais e não se fazerem à vida. No entanto, pessoas que vivem às contas dos pais ou com o dinheiro dos pais existe e existiu em todas as gerações a única novidade na minha geração é como há pouco dinheiro na sociedade, os novos ninis coabitam com os seus progenitores.

Eu digo, sem pingo de sarcasmo, eu tenho orgulho da minha geração. Os Millennials são uma geração de pessoas altamente inteligentes e perspicazes pessoas, habituadas a lidar com pressão numa altura em que gerações como a dos nossos pais não fazia ideia do que era. A ideia de fazer médias para a entrada na universidade é relativamente recente, um fenómeno vinda da massificação do acesso ao ensino superior. Desta forma, desde do décimo ano estamos num constante estado de stress acumulado porque sabemos que o mínimo deslise nos pode custar todo o nosso futuro. Claro que a geração dos nossos pais lidava com outros problemas como ir trabalhar numa idade muito cedo, porém este constante jogo de pressão que é colocado logo de início chega a provocar casos de esgotamento e depressão e, por vezes, esta pressão é intensificada por pressão posta por vocês próprios.

As gerações anteriores à minha tiveram todas problemas quando tiveram a possibilidade de “mudar o mundo”. Criaram guerras, fizeram do Donald Trump candidato à Casa Branca, fizeram o Reino Unido sair da União Europeia com um argumento xenófobo, deram um Grammy aos Milli Vanilli (a quem perceber esta piada um grande abraço), faliram bancos, etc. Ou seja, as vossas gerações provaram que são imperfeitas tal como a minha, contudo assumir que esta próxima geração é uma geração condenada ou uma vergonha de geração é completamente irrisório. Podem criticar os nossos gostos, eu próprio por vezes crítico. As músicas de discoteca são barulho, a roupa de sair à noite é inexistente, os jogos de computador são estúpidos, os filmes de heróis são para crianças, o Harry Potter é fantasioso, mas algumas pessoas minha geração conseguiu algo que até agora era impossível, ganhar dinheiro e fazer a vida com hobbies. A indústria dos videojogos, da tecnologia foi reinventada por nós, como indústrias como as redes sociais ou a criação de conteúdo para blogs ou vídeos par o YouTube foi basicamente criado por nós. Há pessoas a ganhara mais de um milhão de dólares a abrir produtos no YouTube.

E, com isto, me despeço, o meu pai acabou-me de chamar. Ao que parece estava a ter uma conversa telefónica com o meu avô e ficou com as orelhas a arder. Não sei, de facto, o que aconteceu. Espero por vocês para a semana com um texto, espero eu mais engraçado, porque isto de falar a sério é demasiado cansativo.



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