Número 12 ─ Erasmus
Muito boa tarde meus queridos e
estimados leitores, espero que o vosso cabrito assado esteja do vosso agrado.
Nesta belíssima quinta-feira neste nosso querido mês de outubro trago-vos um
tema que é cada vez mais sinónimo de universidade como o desemprego, a fuga de
cérebros ou a Festa do Caloiro do ISCTE-IUL, falo obviamente do programa
Erasmus.
O programa Erasmus é segundo a
Wikipedia, esse portento do conhecimento, “um programa de apoio
interuniversitário de mobilidade de estudantes e docentes do Ensino Superior
entre Estados-membros da União Europeia e Estados associados, e que permite a
alunos que estudem noutro país por um período de tempo entre 3 e 12 meses”. O
programa Erasmus é muito bem visto por possíveis empregadores, mas tenho a
impressão que estes não sabem ao certo o que é este brilhante programa. Desta
forma, para continuarem a pensar nisso, aconselho-vos a não mostrarem este
texto a pessoas que vos podem contratar.
Eu tive o contacto com a loucura
que é o programa Erasmus na minha universidade. Para quem não sabe mal chega o
segundo ano de gestão naquela que é a minha universidade, conhecida mais pelos
futuros caloiros por festas épicas que resultam em bebedeira épicas que pelo
prestígio, acreditações ou reputação, o ISCTE-IUL, tentam fugir do terceiro ano
segundo semestre desse monstro que é a Unidade Curricular de Projeto
Empresarial. Antes de avançar tenho para dizer que não fugi dessa cadeira e
obviamente confesso que não é tão mau como pintam, É PIOR! Se alguns dos meus
leitores está a pensar se deve ou não fugir, não existe escolha, fujam! Foi
claramente a pior experiência da minha vida! Um dia irei abordar esta temática
num próximo texto. Voltando à temática central, e assim os petizes do segundo
ano começam a loucura de candidatar ao programa Erasmus, é uma loucura, falta é
claro saber os critérios de escolha desses futuros donos disto tudo.
Para pessoas que não têm noção desta
vida universitária, como por exemplo os nossos progenitores, pensam que os
universitários escolhem os seus destinos por causa da classificação da
Universidades ou a possibilidade de trabalhar nessa mesma cidade num futuro
próximo pela prosperidade do seu mercado de trabalho. No entanto, esses motivos
não estão no top dos motivos de escolha. Para quem não sabe, os motivos para os
quais os nossos petizes escolham os seus destinos de Erasmus são: o preço do
álcool, as redondezas para passear e proximidade com outros países para
explorar e o preço da roupa para comprar. Pode parecer que estou a exagerar,
facto que faço sistematicamente, todavia, desta vez não. Juro que não estou a
gozar quando digo que ouvi um colega meu a dizer: “Vou para a Polónia porque a
litrosa é ao preço de água lá.”.
Claro que uma vez devidamente
instalados nas novas cidades os pais pensam que os seus filhos estão
naturalmente embrulhados numa vida de estudo. Para esses queridos progenitores
tenho para referir que estão redondamente enganados. O fruto dos vossos sémenes
e dos vossos óvulos está na verdade a ter amor carnal com estranhos e a ingerir
quantidades de álcool suficiente para deixar a cidade de Sines embriagada.
Erasmus para os pequenos
prodígios é sinónimo de histórias de Erasmus. Em Erasmus até o caixa de óculos
obeso que padece de acne é o Zezé Camarinha lá do sítio. Parece que não há um
rapaz que saia do seu país de origem que não ganhe logo uma lista de gajas que
comeu. Será que na alfândega dão logo a lista?
Só há um tipo de pessoas que não
tem este tipo de histórias, é um tipo de pessoas que merece não só o nosso
apoio como o nosso respeito, o gajo que vai com a namorada para Erasmus.
Normalmente os namorados mal chegam a Erasmus e vêm-se sem a namorada por perto
rodeados por raparigas gostosas tentam fazer a denominada pesca de arrastão.
Podes ser o gajo mais sem graça do mundo que é literalmente o cãozinho da sua
namorada, porém chegas a Erasmus e és o herói daquela terra, claro que voltas
ao modo cãozinho na altura da conversa semanal de quatro horas pelo Skype. Ora,
os rapazes que vão com as namoradas para a nova cidade fazem me lembrar aqueles
rapazes com um carro todo velho a cair de podre com os amigos todos a envergar
Lamborghinis novinhos em folha. Os coitados têm de sofrer com visitas diárias a
lojas de roupas e só bebem não para se divertir, mas para esquecer.
As histórias de Erasmus parecem
sair de ficção cientifica, algo mais ou menos assim: “Ei ó puto, um dia quando
estava de Erasmus fui a uma discoteca bebi sete garrafas inteiras de vodka,
vomitei para cima dos seios de duas raparigas e depois fomos para a cama.”, ou
seja, uma mistura de erótico com nojento e pulverizado com álcool em
quantidades industriais. O que é verdade
é que a ideia de “estudar fora” tem muita coisa menos estudo, muitas das vezes
as cadeiras são incrivelmente mais fáceis. Numa conversa com um grande amigo
meu ele conseguiu ter equivalências a cadeiras como Contabilidade Financeira II
(o meu grande abraço ao professor doutor Borges) ou Investimentos com cadeiras
que mais parecem ser tiradas do livro “Gestão para Totós”. Juro que não me
admirava que desse para ter equivalência a Matemática com algo como Dança do
Ventre.

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