Número 4 ─ Redes Sociais
As redes sociais estão tão
presentes na nossa vida como o ar que nos rodeia. Quem não está nas redes
socais não existe. O fenómeno da massificação começou com o Facebook, sendo que
o antepassado deste com alguma relevância foi o Hi5. Para todos os petizes que
não se lembram do Hi5 era um Facebook mas sem quintas do FarmVille.
Curiosamente ao fazer alguma pesquisa para este texto descobri que ainda está
vivo, por isso e como claramente sou um opinion
maker vamos criar o movimento: “Que se lixe o Facebook vou voltar para o
Hi5”. Era o movimento mais hipster da história do hipsterismo isso porque agora
é moda sair das redes sociais, mas já lá vamos. Também havia pessoas que aderiram ao MySpace,
mas não fui dessas pessoas. Nessa altura éramos pessoas felizes.
Depois desta primeira introdução
das redes sociais por parte da minha geração foi criado o maior monstro desta
indústria, o já falado nesta mesma crónica o Facebook. Eu lembro-me a minha
primeira reação ao olhar para o Facebook foi: “Mas que raio, jogos sobre
quintas?”, mas obviamente aderi à moda e no início o Facebook era cool. Era um
sítio onde podias partilhar os teus pensamentos, vídeos, fotografias com os
teus amigos e falar com os teus amigos. Mas para todos os rapazes, o Facebook
era bom por uma coisa: os álbuns com o título “VERÃO 20XX”. Quem não gosta de
ver raparigas jeitosas em trajes menores, não é? E vamos ser sinceros,
raparigas lá no fundo sabem que as fotos com mais de 300 likes não tem a ver
com as frases inspiradoras de livros que nunca leram nem a paisagem bonita que
tem de fundo, sim o que faz com que vocês têm esses mesmos likes é o facto de
vocês estarem de biquínis reduzidos. E garanto-vos que se os comentários do
Facebook fossem 100% aquilo que pensamos ao ver as fotos, em vez de “linda” ou
“<3” do sexo masculino teriam coisas como “boas tetas” ou “bruta rabo”. Já
os comentários femininos seriam “grande pega” ou algo mais insultuoso. Sim
porque, vocês acreditam que quando as vossas amigas vos chamam de “bitch” de
forma carinhosa quando na realidade é apenas a opinião delas. Desta forma,
considero a rede social mais honesta o Instagram. Nesta rede social as
raparigas que postam as fotos em biquíni são mais realistas, e sabem o porquê
do número de likes e colocam as suas fotos mais reveladoras simplesmente com a
descrição do emoji dos maiores de 18 anos.
Mas como disse o Facebook era
cool, mas porquê que deixou de ser cool? A resposta é simples, familiares no
Facebook. As mães, por exemplo, chegaram ao Facebook recheadas de fotos
constrangedoras nossas no tempo de criança e comentários fofinhos em todas as
nossas fotos. Fogo mãe, eu vou para o Facebook para engatar miúdas e tu tiras
todas as minhas hipóteses. As mães destruíram o que era mais nosso, começaram a
fazer quintas virtuais e mandar pedidos de amizade aos nossos amigos. E,
aqueles parentes distantes, que não sabem que existe um chat e fazem aquela
conversa de pessoas que não se veem há muito tempo no nosso mural.
Mas o Facebook, independentemente
de ser a rede social com mais utilizadores em todo o mundo, cerca de 1,5 mil
milhões de utilizadores, não é a única rede social com relevância na atualidade
e, sem mais demoras, vamos aborda com mais detalhe o Instagram.
O Instagram para além das fotos
em biquíni, o Instagram é aquele sítio em que qualquer labrego se transforma
num perito em fotografia graças aos inúmeros filtros. Tenham noção de uma
coisa, não é por terem uma foto a preto e branco a olharem para o mar ou em
sépia a mexer no cabelo que vão deixar de ser os mesmos otários que são. Tenham
noção de uma coisa não é por terem 500 fotos no Instagram que vais ser chamado
para fotografo de moda, não vais. Outra coisa que me irrita é a malta que tira
fotos à comida. São sempre pratos muito elaborados e bonitos e isso não
entendo. Estão a dizer que não há arte numa chanfana ou num cozido à
portuguesa? Dizem que não. Este tipo de utilizador, era capaz de tirar foto ao
seu cocó que fosse bonito e parecesse um filete de salmão ao vapor.
Existe também uma rede social com muitos
adeptos, o Snapchat. O Snapchat é basicamente pequenos vídeos ou fotografias
que enviamos para os nossos amigos. Mas há pessoas que exageram. Há pessoas que
querem mostrar aos amigos tudo o que estão a fazer atualmente: desde ir ao
ginásio, comer, dar banho ao cão, ir à casa de banho, ir à praia, ir ao funeral
do avô, etc. São pessoas que são basicamente jornalistas CMTV delas próprias,
divulgadoras de conteúdo visual que ninguém quer saber. Dar noticias sobre a
vida privada delas próprias que os espectadores não sabiam que queriam saber. O
meu ódio de estimação do Snapchat nasceu quando descobri quando o fundador do
Snapchat Evan Spiegel se tornou noiva da minha anjinha preferida da Victoria’s
Secret Miranda Kerr. Pensei só, o gajo que possibilitou a massificação das dick
picks engatou uma das mulheres mais bonitas do mundo. Imagino que tenha
utlizado essa mesma técnica para engatar a rapariga, mas se qualquer outro
rapaz envia-se uma fotografia do seu órgão a uma supermodelo seria bloqueado,
como é que ele conseguiu? Possivelmente, ao lado do seu pénis estava o extrato
da sua conta bancária que ajudou a Miranda a se apaixonar.
Duas redes sociais muito voltadas
para o público que denominarei “pitas” é o Ask.fm e o Tumblr. Obviamente o
tempo áureo destas redes sociais já acabou, mas tiveram uma presença algo
vincada nos mais jovens. O Ask.fm era uma rede social na qual podíamos
perguntar, em anonimato ou não, questões a outras pessoas, no entanto, acho que
as pessoas utilizavam mal estas redes sociais. As pessoas perguntam a miúdas de
12 anos questões como: “Tens namorado?”, “Gostas de fulano ou sicrano?”, “És
virgem?”, perguntas um tanto ao quanto superficiais. Se fosse eu pergunta a
estas raparigas: “Qual é o sentido da vida?”, “O que achas sobre a teoria dos
universos paralelos?”, “Achas que Portugal devia sair da moeda única?”. Não sei
porquê gostava de saber as opiniões sobre filosofia e política internacional de
pitas cujo o gosto musical centra-se em D.A.M.A., One Direction e Justin
Bieber. Um dia, de facto, tenho de falar melhor destes rapazes. Já o Tumblr é a
rede social onde supostamente se pode ver a alma de uma pessoa. Digo-vos já se
tiverem mais de 19 anos e possuírem uma conta nesta rede social aconselho que a
vossa alma seja consultada… por um psicólogo. O Tumblr é aquele sitio onde as
pitas partilham fotos de BDSM, visto que são possuidoras de um conhecimento
avultado no tema pois chegaram a ver o trailer do filme 50 Sombras de Grey.
Por fim, gostava de falar do
LinkedIn, a única rede social aprovada por professores da faculdade. A premissa
é bastante boa: juntar numa rede potenciais empregadores e empregados, só que
padece de uma maleita, publicidade enganosa. Todos nós conhecemos aquele colega
que limpa casas de banho no Verão no Continente, todavia no seu perfil
encontramos: “Estágio de Verão no grupo SONAE”. Faz-me alguma espécie a forma
como temos de nos “vender” nesta rede social para conseguirmos ter o palavrão
do ano de 2016, empregabilidade. E eu até ia falar do Google +, mas possui a mesma
relevância atual dos Tokio Hotel, por isso deixo para outro dia.

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