Número 3 ─ Reality Shows
A televisão portuguesa não é
conhecida por fornecer os melhores conteúdos televisivos feitos em Portugal,
porque tal raramente existe, mas nada é pior que os Reality Shows. O fascínio
das pessoas com este tipo de programas é o mesmo que elas têm um programa do
BBC Vida Selvagem, ver animais selvagens no seu habitat natural. É igual a
irmos ao zoo apreciar a secção dos primatas, são antepassados de homo sapiens
enjauladas com a particularidade de que por 60 cêntimos mais IVA escolhemos
quais são os primatas que ficam e qual são libertos para a natureza. Graças a
estas abominações televisivas que andam para aí, tenho uma certa convicção que
o Piet-Hein é na verdade a encarnação em pessoa do Diabo. Esta pandemia começou
a 3 de setembro de 2000 e contou com alguns dos concorrentes que viriam a
tornar mais famosos neste tipo de programação: Marco Borges, Telmo, Célia,
Marta Cardoso, Sónia Veiga e o vencedor e talvez o mais ilustre de todos Zé
Maria. Este foi uma aposta vencedora da TVI que a cimentou como a principal
televisão geralista portuguesa. Consta que terá sido o programa mais visto de
sempre da televisão portuguesa alcançando cerca de 70% de share pelo menos
segundo a Wikipedia e todos sabemos que tudo o que aparece na Wikipedia é
verdade impossível de ser contestada.
O programa foi um sucesso e
obviamente seguiu-se novas edições e duas edições com famosos e nessa altura
até havia um esforço de trazer concorrentes mais ou menos conhecidos atores
conceituados como Vítor Norte e Nuno Homem de Sá. E foi o sucesso desta edição de
famosos que disputou as spin offs como a Primeira Companhia e a Quinta das
Celebridades. Mas aqui tenho para dizer adorava a Primeira Companhia não perdia
um episódio e o motivo são duas palavras: Diana Chaves. O que eu gosto da Diana
Chaves, esta foi a altura antes de pensar que era atriz. Deve ser do apelido
porque tal como a Diana, também a Soraia só conseguiu os papéis pelo corpinho
que apresenta. Mas atenção há que dar valor à Soraia que fez com que o Eça de
Queiroz fosse o escritor mais cool português. O Eça nessa altura era tão cool
que quando soube no décimo primeiro ano ia dar este autor fiquei altamente
entusiasmado, entusiamo que se perdeu quando soube que era Os Maias o meu
entusiasmado diminuiu drasticamente, porém foi brevemente revertido com o
explicito incesto. Quanto a Eça de Queiroz tenho de fazer uma critica, tem uma
escrita muito voltada para o sexo feminino: muito tempo voltado nos preliminares
e pouca ação. Acho que seria melhor parar com a descrição da mansão e mais da
ação, por assim dizer.
Mas voltando ao tema principal,
estes dois reality shows foram popularizados pelo casal maravilha: José Castelo
Branco e Alexandre Frota. Uma reencarnação estranha do clássico da Disney a
Bela e o Monstro (não me perguntem qual é qual). Passado alguns anos, entramos
na era da Casa dos Segredos. Um conceito inovador em que os concorrentes têm de
descobrir os segredos dos outros concorrentes escondendo os seus. Acho que o
segredo mais difícil de descobrir de um destes concorrentes seria: “tenho o
Q.I. de uma pessoa normal”. Se existisse um concorrente com este segredo, seria
um bom argumento para um filme de ficção cientifica.
A Casa dos Segredos, mais que
qualquer outro programa do género, criou uma moda horripilante denominada, os
famosos do Reality Show. São aqueles moços que por entrar num programa destes
pensam na pequena consciência deles que são estrelas. Fanny, Bernardina, Tatiana,
Rúben, Cátia Palhinha são representantes destes novos famosos onde a única
coisa que tem no seu CV é “Ex-Concorrente de Reality Show”. Graças a isto têm
programas de televisão e, até, para tortura dos meus ouvidos, gravam canções.
De facto, para todos os turistas que não conheçam o panorama da música
portuguesa, para gravar música em Portugal das duas uma: ou és um
ex-concorrente de um reality show ou o teu apelido é Carreira. Na casa do Tony
até o cão grava CDs e enche o MEO Arena.
A Casa dos Segredos popularizou
algo que começou nos primeiros Big Brother: sexo debaixo dos lençóis. Mas ao
contrário dos primeiros programas do Big Brother onde era raro acontecer, no
Secret Story era tão popular que acho que existia em todos os diários. Houve de
tudo, trabalhos manuais, avaliações orais, escavações a grutas traseiras, etc.
De facto, a quantidade de sexo que havia neste programa faz com que seja mais
vergonhoso morar perto da casa onde se realizava, do que morar perto da Casa da
Mãe Kikas.
Atualmente encontra-se a ser transmitido
um destes programas, a mais recente reencarnação, o Love On Top, ou como eu
gosto de chamar, Quem Quer Apanhar Sífilis?. A descrição do Wikipedia deste programa
é muito enganadora e passo a citar o site que mais fez pelos trabalhos
universitários e do secundário: “Uma mulher de sonho e um homem perfeito são os
anfitriões de uma luxuosa casa onde cinco solteiros e cinco solteiras estão
dispostos a fazer tudo para os conquistar, mas a tarefa não vai ser fácil.”
Primeiro tanto os homens como as mulheres são tudo menos perfeitos, são
raparigas muito dadas e rapazes armados em bom, e por facto, a tarefa é tudo
menos difícil. Posso garantir que é mais fácil fazer sexo neste programa que
tirar um curso na Lusófona, mas ao contrário dos cursos da Lusófona que podem
ser retirados passado alguns anos por causa de escândalos de equivalências, as
doenças que contraímos desse mesmo ato carnal são para o resto da vida.

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