Número 5 ─ Festivais de Verão

Estamos em finais do mês de agosto e com isto o fim dos festivais de Verão. Os festivais de Verão estão cada vez mais enraizados na cultura juvenil portuguesa. Agora perder a virgindade de festivais de Verão chega a ser mais importante que a virgindade sexual. Assim os festivais de Verão tornaram-se lugares de culto por parte dos jovens, grandes centros de convívio entre adolescentes e pré adolescentes. De facto, cada vez mais encontramos miúdos nos festivais de Verão, e não, não estou a falar dos miúdos que se vão divertir no festival Panda, mas sim as pitas que povoam o NOS Alive, por exemplo. Não falta muito tempo para as conversas no NOS Alive serem: “Amiga, estou desejosa de aprender a letra A, a professora diz que é um máximo.”

Os festivais de Verão atraem milhares e milhares de pessoas todos os anos e, obviamente, como atraem um número tão grande de visitantes é normal coexistirem no mesmo festival vários tipos de público. Não consigo numerar todos os públicos mas vou fazer o meu melhor para abordar os mais conhecidos:
  • Os ultras fãs dos Cabeça de Cartaz – são aqueles gajos que chegam no dia antes às 7 da manhã para guardar lugar mesmo à frente do palco. São os tipos que trazem uma mochila com mantimentos suficientes para uma semana porque sabem que não vão sair da frente do palco, bem como uma garrafa para as necessidades. Nada tirará estes fanáticos da fila da frente, nem o euromilhões nem um concerto da banda que queriam ver na zona da restauração;
  • Os Hipsters – são os gajos que detestam o mainstream. Para ele todas as bandas com mais de 200 fãs são comerciais. Por este motivo, pagaram os 50 euros do bilhete para ver o concerto que ocorre para 3 pessoas num dos urinóis sendo que 2 das pessoas são familiares;
  • Os tipos dos brindes – são aqueles tipos que querem fazer render o preço do bilhete, então vão à procura de tudo o que é bugigangas gratuitas que existem pelo recinto. Não se importam das figuras que fazem, seja um mergulho em piscina com bolas ou simular posições sexuais com o seu melhor amigo. O que importa é chegar a casa atafulhado de sofás insufláveis, camisolas estampadas baratas, chapéus e preservativos baratos;
  • Os que fazem pela tradição – são aqueles grupos de amigos que independentemente do cartaz vão. Se num andam tem a sorte de apanhar uma banda boa como os Metallica vão, mas se no ano seguir apanham com o Quim Barreiros a tocar ferrinhos todo nu, vão na mesma. O que importa é a experiência;
  • Os que vão acampar – estes são especiais e são típicos do Sudoeste e do Sumol. São aqueles putos que até para limpar o rabo chamam a mãe, mas chega a altura destes festivais gostam é de acampar. Curioso que se os pais sugerissem acampar como local de férias reclamavam, mas como é em festivais vão todos pimpões. Vão pela experiência, pela bebedeira e pela ganza.  Tem três ou quatro experiencias sexuais e durante uma semana acham que são rastafáris quando o único contacto que tiveram com isto foi uma foto que tem emoldurado no quarto do homem que pensam que é o Bob Marley mas é de facto o Jimmy Hendrix. De facto, a única música reggae que ouvem é o Richie Campbell, portanto assumem que os melhores cantores reggae mundiais são brancos e portugueses e acham que a única coisa que a Jamaica é conhecida é pelos resorts de 5 estrelas.
Mas com o período dos festivais de Verão a terminar uma coisa pode ser garantida, que daqui a 2 anos, o Rock In Rio vai voltar e a Ivete Sangalo será a Cabeça de Cartaz para os 5 dias.




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