Número 1 ─ A universidade
Claramente este teria de ser o tema da minha primeira
crónica. Acabei de tirar o curso e dizem que a universidade são os melhores
anos da tua vida, deixem-me desde já desmitificar esse mito. De facto, ninguém
como o mais perfeito juízo pode dizer que a universidade são os melhores anos
da sua vida, isto porque, não se lembra deste período.
A vida académica é toda ela regada de álcool. As bebedeiras
são tais que muitos dos alunos universitários não se lembram sóbrios de onde tem
aulas. Muitos deles as únicas assiduidades que tem são às cadeiras de lavagem
intestinal, introdução ao estudo da levedação da cevada 1 e 2 e estudo da
inflação da Sagres e Super Bock. Mas há que dar valor a estes prodígios
nacionais. Muitos destes alunos possuem média de 18…g/l.
Mas não é só de bebedeiras que a vida académica é recheada,
também há espaços para o descobrimento da sexualidade. Não haja dúvida que os
pais não fazem ideia nenhuma do que os filhos andam a fazer. De facto, enquanto
a mãe da pequena Maria gaba-se de que ela entrou em enfermagem, a Maria
encontra-se na parte de trás de um Renault 5 com um tal do José. De facto, as
antigas cadernetas de cromos de jogadores que os miúdos brincavam no básico dão
lugar a cadernetas de parceiros sexuais. Também estes contêm cromos raros e
cromos fáceis de encontrar, excelentes para a elaboração de trocas.
Mas tudo vale a pena para aquele orgulho que os pais têm
quando chega a altura de maio e os filhos se apresentam para a sua queima.
Nesse dia nada importa. Não importa que o filho tenha feito um curso de 3 anos
na mesma altura do Dux de Coimbra, não importa que o filho tem feito o curso
todo ele a copiar pelo aluno mais inteligente da turma e por cábulas que metia
nas mangas, não importa que o único futuro do filho seja a caixa do Pingo Doce,
o que importa é que o filho é doutor.

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